E se você olhasse a vida por outro ângulo?

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Tem dias em que tudo parece estar dando errado ou que nossa vida “não decola”. Às vezes, acordamos de mau humor ou, logo pela manhã, acontece algo que consome nossa energia por horas ou até por dias. E então saimos por aí, carregando e espalhando essas emoções negativas. E então a vida nos estende a mão…

“E então a vida te estende a mão…”
O motorista

Há alguns dias, eu estava no ônibus voltando de uma missão de formação que ministro em uma empresa multinacional localizada na zona industrial da minha cidade e presenciei uma cena que me fez refletir muito sobre o assunto deste post. Neste local, o acesso ao transporte público é feito da seguinte forma: a linha do único ônibus que passa por lá tem pontos “fixos” em uma longa avenida e “flexíveis”, que são os pontos de cada empresa. Para que o ônibus passe nestes pontos, é preciso ligar pelo menos uma hora antes para a empresa de ônibus e fazer o pedido tanto na ida quanto na volta. Não é uma linha muito frequentada, apesar do sistema de transporte público francês ser muito bom e das campanhas de responsabilidade ecológica e meios de transporte.

Pois bem, eu estava voltando para casa e então o ônibus saiu da linha “fixa” para passar no ponto da empresa localizada o mais longe da avenida principal, onde um passageiro iria descer. Desde que entrei neste ônibus, percebi que o motorista estava nervoso e irritado: eu disse “bonjour” e ele nem ao menos respondeu. Quando parou no ponto em que o passageiro desceria, um senhor, de aproximadamente 50 anos, chegou correndo, entrou no ônibus , agradeceu, disse bom dia, pagou a passagem e o motorista então falou “é preciso reservar para pegar o ônibus neste ponto” em um tom de voz como se ele quisesse deixar claro que só faltava aquilo para seu dia piorar. O senhor disse apenas que não sabia e agradeceu novamente enquanto enxugava com um lenço a transpiração do rosto. O motorista seguiu o caminho resmungando.

A reflexão

Eu sempre fui uma pessoa muito observadora e analítica. E este acontecimento desencadeou em minha mente vários cenários que poderiam explicar o comportamento tão negativo deste motorista naquele início de tarde: talvez tivesse acontecido algo com ele pela manhã; talvez ele tivesse recebido uma má notícia ou levantado com o “pé esquerdo”; quem sabe a vida dele não estivesse avançando como ele gostaria ou até mesmo que ele não goste deste trabalho. Porém, o que mais tomou conta das minha reflexões foi o fato desta pessoa ter perdido a oportunidade de mudar o seu dia para melhor!

Se ele não tivesse passado por aquele caminho, aquele senhor – que certamente tinha terminado o expediente que começou na madrugada e que provavelmente tem um dos empregos considerados mais pesados e desvalorizados socialmente na França que é o trabalho na usina – teria esperando o próximo ônibus por 45 minutos sem saber que ele não passaria ali, a não ser que alguém fosse descer naquele local.

Será que se o motorista tivesse pensado nisso, o dia dele não teria melhorado? O trabalho dele não teria ainda mais sentido? Talvez, se ele tivesse olhado a situação por um outro ângulo naquele momento, ele poderia ter pensado “Que bom que passei por aqui, meu dia valeu a pena porque aquele trabalhador cansado vai chegar em casa mais cedo e talvez almoçar com a família e descansar”.

E você? Tem olhado a vida por outros ângulos? Não é fácil mudarmos nossos hábitos mas com paciência e persistência podemos aprender a enxergar a vida por outros ângulos e nos tornarmos pessoas mais felizes e empáticas.

 

4 comentários sobre “E se você olhasse a vida por outro ângulo?

  1. Ricardo disse:

    História legal e triste ao mesmo tempo. Legal, porque traz um ensinamento. Triste, por que vê-se que o motorista é um ser infeliz. Mesmo não tratando de forma adequada o senhor de 50 anos, a vida deste vai seguir. Ele vai pegar outros transportes com outros motoristas, alguns o tratarão bem. Mas a vida deste motorista seguirá melancólica se ele não perceber que precisa mudar.
    Greyce, quando penso em Jesus (e a pessoa não precisa ser religiosa para pensar nele, embora eu seja), e em seu sofrimento, o que mais me vem à mente foi o que ele ensinou (não apenas com as palavras, mas com sua própria vida) que é a necessidade de termos “compaixão” para com o próximo.
    Eu choro ao pensar no sofrimento dele, mas também pelo fato de saber que a gente está tão longe de compreender isso.
    O que é “compaixão”? Diz o dicionário: “compaixão é o sentimento piedoso de simpatia para com a tragédia pessoal de outrem, acompanhado do desejo de minorá-la”. Acho que se aplica à história.
    Parabéns pelo blog! 🙂

    Curtido por 1 pessoa

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