O que você aceita?

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Você já viveu situações em que não se sentiu bem, mas mesmo assim continuou nelas? Provavelmente sua resposta foi sim, afinal quem nunca atendeu a uma demanda não urgente em seu trabalho e acabou deixando suas próprias tarefas para depois? Ou então, respondendo à demanda em questão depois do término do expediente?

Em sua vida pessoal, quantas vezes passaram dos limites com você e você simplesmente aceitou? Aliás, quais são os limites que você impõe ao outro para ser respeitado e estar em coerência consigo mesmo?

Por muitos anos – e apenas me dei conta depois de que fui responsável pelo o que estava vivendo e sentindo -, eu vivi em um ambiente profissional que destruía toda a minha sanidade mental. Eu vi pessoas abandonando seus projetos no meio do caminho, assistindo àquilo como uma espectadora atenta, mas que também era atriz naquela história e que não conseguia desfazer-se de seu papel. Depois de muitas humilhações, de ter minha auto-imagem destruída, eu me dei conta (e não foi fácil) de que aquele não era o preço que eu gostaria de pagar pelos planos que eu tinha em mente ; que eu tinha deixado alguém ultrapassar os limites do que eu poderia aceitar e suportar. Às vezes, pensamos que “se fulano aguentou, eu também aguento”, mas o que a gente esquece é que o “fulano” tem outra história de vida, portanto, tem outras crenças, outra forma de ver e agir, outra forma de se relacionar. O meu “não” para essa situação foi libertador! Toda a criatividade que eu achava que tinha perdido ressurgiu, as crises de ansiedade diminuíram pouco a pouco, eu comecei a ter novos planos, coisa que eu já não tinha há anos.

Recentemente, por  causa de um artigo que escrevi aqui, também vivenciei uma situação complicada alguns dias antes de passar minhas provas finais da certificação do curso e em meio a uma gravidez bem turbulenta. Achando que meu texto era uma indireta, tive direito a uma “discussão de relação” da parte de uma amiga que me deixou bem para baixo naquele momento. Eu tinha então duas coisas a fazer : tentar provar que eu tinha razão, ou ficar de bem comigo mesmo, afinal, o que ela havia entendido não era o que eu havia escrito. Depois de muita espera de um retorno sobre o ocorrido e de muita reflexão, cheguei à conclusão de que um dos meus limites (um limite construtivo e não  um limite limitante*) tinha sido invadido e que aquele tipo de discussão e afrontamento não tem espaço na minha vida.

“Ousar dizer não ao outro é ousar dizer sim a si mesmo.”

Jacques Salomé

E você? Já parou para pensar no que você aceita ou não na sua vida?

* a primeira deve ser reforçada e a segunda, remediada.

 

limites Por uma vida com mais sentido e equilíbrio (5)

4 comentários sobre “O que você aceita?

  1. Bruno disse:

    Às vezes estamos tão preocupados em agradar todo mundo, em fazer tudo certo, que nem nos damos conta da violência que deixamos algumas pessoas nos infligir. É preciso estar sempre atento, pois as pessoas só fazem com a gente aquilo que nós permitimos que elas façam.

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  2. Fran disse:

    Este texto me toca profundamente. Vivo no dilema entre o sonho, o plano e a realidade esmagadora. Estava pensando sobre isso hj e seu texto me fez refletir muito sobre aceitação e limites. Obrigada pelo texto. Aliviou meu coração por hoje. Grata.

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  3. Deusimar Telles(Deusa) disse:

    Bom dia Greyce
    Amei o texto sobre o que você aceita?
    Na verdade eu aceitei por anos e anos os transtornos de uma pessoa da família .
    Fiquei com problemas Psicológicos e sem energia para lidar com tudo.
    Mas quando cheguei ao limite voltei para Goiânia (minha cidade)e coloquei limites precisos sobre a presença desta pessoa na minha casa.
    Isto salvou meu relacionamento.
    Amei o texto.

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  4. Marina disse:

    Isso é tão difícil… eu não sei como posso colocar meus limites sem parecer que estou sendo egoísta. Ao mesmo tempo que fico esperando que as outras pessoas tomem a iniciativa de me ajudar, quando estou à beira de um colapso, sem que eu tenha que pedir diretamente. Não conhecer bem os meus valores também complica, pois não tenho claro aquilo que eu aceito e o que não aceito.

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