Só você conhece o caminho certo?

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Há alguns meses, uma pessoa me disse que ela estava subindo na vida, comparando-se a  pessoas que estavam ficando para trás em um nicho parecido com o dela, em um tom de ironia.

Isso me incomodou e me deixou muito pensativa sobre a forma como as pessoas se relacionam e enxergam umas às outras. Será mesmo que, pelo fato de você estar indo rumo ao seu objetivo rapidamente, o esforço e trabalho de outras pessoas têm menos valor e mérito? O seu tempo “correto e corrido” pode ser o mais adequado para o seu perfil e para o seu estilo de vida, mas a sua realidade e forma de pensar e agir não são as mesmas para todo mundo. Imagine o quanto seria chato se todo mundo funcionasse da mesma forma! Aquela pessoa que você considera inferior a você por ter outro ritmo de trabalho e de vida, pode até mesmo ser uma pessoa realizada e feliz! Talvez ela realize seus projetos de uma forma bem planificada, dedique um tempo da semana para cada área da vida dela e, justamente esse equilíbrio, deixe-a mais apta a realizar grandes objetivos.

Não somos piores ou melhores do que os outros de acordo com a forma como traçamos nossos caminhos. E se alguém está ficando para trás por outros motivos (dificuldades, falta de conhecimento etc.), enquanto você já está lá na frente, que tal estender a mão e fazer da sua vida uma vida mais plena e com mais sentido?

caminho certo o eu melhor Por uma vida com mais sentido e equilíbrio (1).png

 

E se você olhasse a vida por outro ângulo?

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Tem dias em que tudo parece estar dando errado ou que nossa vida “não decola”. Às vezes, acordamos de mau humor ou, logo pela manhã, acontece algo que consome nossa energia por horas ou até por dias. E então saimos por aí, carregando e espalhando essas emoções negativas. E então a vida nos estende a mão…

“E então a vida te estende a mão…”
O motorista

Há alguns dias, eu estava no ônibus voltando de uma missão de formação que ministro em uma empresa multinacional localizada na zona industrial da minha cidade e presenciei uma cena que me fez refletir muito sobre o assunto deste post. Neste local, o acesso ao transporte público é feito da seguinte forma: a linha do único ônibus que passa por lá tem pontos “fixos” em uma longa avenida e “flexíveis”, que são os pontos de cada empresa. Para que o ônibus passe nestes pontos, é preciso ligar pelo menos uma hora antes para a empresa de ônibus e fazer o pedido tanto na ida quanto na volta. Não é uma linha muito frequentada, apesar do sistema de transporte público francês ser muito bom e das campanhas de responsabilidade ecológica e meios de transporte.

Pois bem, eu estava voltando para casa e então o ônibus saiu da linha “fixa” para passar no ponto da empresa localizada o mais longe da avenida principal, onde um passageiro iria descer. Desde que entrei neste ônibus, percebi que o motorista estava nervoso e irritado: eu disse “bonjour” e ele nem ao menos respondeu. Quando parou no ponto em que o passageiro desceria, um senhor, de aproximadamente 50 anos, chegou correndo, entrou no ônibus , agradeceu, disse bom dia, pagou a passagem e o motorista então falou “é preciso reservar para pegar o ônibus neste ponto” em um tom de voz como se ele quisesse deixar claro que só faltava aquilo para seu dia piorar. O senhor disse apenas que não sabia e agradeceu novamente enquanto enxugava com um lenço a transpiração do rosto. O motorista seguiu o caminho resmungando.

A reflexão

Eu sempre fui uma pessoa muito observadora e analítica. E este acontecimento desencadeou em minha mente vários cenários que poderiam explicar o comportamento tão negativo deste motorista naquele início de tarde: talvez tivesse acontecido algo com ele pela manhã; talvez ele tivesse recebido uma má notícia ou levantado com o “pé esquerdo”; quem sabe a vida dele não estivesse avançando como ele gostaria ou até mesmo que ele não goste deste trabalho. Porém, o que mais tomou conta das minha reflexões foi o fato desta pessoa ter perdido a oportunidade de mudar o seu dia para melhor!

Se ele não tivesse passado por aquele caminho, aquele senhor – que certamente tinha terminado o expediente que começou na madrugada e que provavelmente tem um dos empregos considerados mais pesados e desvalorizados socialmente na França que é o trabalho na usina – teria esperando o próximo ônibus por 45 minutos sem saber que ele não passaria ali, a não ser que alguém fosse descer naquele local.

Será que se o motorista tivesse pensado nisso, o dia dele não teria melhorado? O trabalho dele não teria ainda mais sentido? Talvez, se ele tivesse olhado a situação por um outro ângulo naquele momento, ele poderia ter pensado “Que bom que passei por aqui, meu dia valeu a pena porque aquele trabalhador cansado vai chegar em casa mais cedo e talvez almoçar com a família e descansar”.

E você? Tem olhado a vida por outros ângulos? Não é fácil mudarmos nossos hábitos mas com paciência e persistência podemos aprender a enxergar a vida por outros ângulos e nos tornarmos pessoas mais felizes e empáticas.